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Vinhos de diferentes origens, uma viagem a mundos desconhecidos

Os vinhos tintos são os mais amados pelos brasileiros, talvez porque nos acostumamos, desde cedo, a bebê-los mais do que os demais vinhos.

Infelizmente, ainda não temos grandes exemplares nacionais para saborear devido as condições de clima e solo, o que não quer dizer que, brevemente, não teremos. Pelo contrário, a tecnologia que tanto tem feito pelo mundo dos vinhos, também está nos entregando vinhos honestos que começam a despontar com qualidade comparável aos bons vinhos de outras regiões vinícolas.

Podemos citar alguns exemplares, mas vamos nos restringir aos realmente muito bons, tais como o Pinot Noir da Vinícola Viapiana, o Cabernet Franc Churchill da Vinícola Valmarino e o Cabernet Sauvignon Millésime. Quanto aos importados, a qualidade tem melhorado em todos os países. Em nossa loja temos uma variedade de vinhos portugueses da região do Tejo e Alentejo regionais da Herdade Grande. Portanto, diversificar o paladar, provando vinhos de diferentes origens, nos fará viajar por lugares que jamais estivemos e começaremos a amar. Os vinhos chilenos e argentinos, bem como os uruguaios, melhoram a cada dia, mas porque não provamos mais os maravilhosos exemplares que chegam da África do Sul, Austrália e Nova Zelândia? Para não dizer os que sempre chegaram do velho mundo. Prová-los engrandecerá muito o nosso paladar e nos proporcionará sabores que nunca imaginamos.

Por exemplo, o Pinot Noir produzido pela Nova Zelândia é um espetáculo, às vezes melhor que beber um de sua região de origem, a Borgonha. Outra experiência inovadora é quando decidimos quebrar paradigmas e harmonizamos um Pinot levíssimo com um peixe mais untuoso. Estranho? Nada disso, é a tipicidade e a qualidade proporcionando experiências que nos ajudam nesta viagem maravilhosa pelo mundo dos vinhos.

O uso de leveduras selecionadas no lugar das naturais presentes na casca da uva, a maceração diferenciada com extração de mais cor e aromas, a disseminação das barricas de carvalho norte-americanas (amadeirando mais ainda os vinhos), como, também, as escolhas e pesquisas feitas pelos enólogos, criaram os fruits bombs: vinhos prontos para beber, com muita cor, aroma e grau alcoólico acima da média, mas que prejudicam em demasia as harmonizações.

Ou seja, existem vinhos que são ótimos, mas combinam com poucos acompanhamentos, pois “matam” os sabores dos alimentos devido a sua presença acentuada ao lado de determinadas receitas. Em contrapartida, a busca pela tipicidade e as especificidades das diferentes castas de uvas viníferas espalhadas pelo nosso planeta, podem nos remeter aos bons momentos qdo desfrutamos de harmonizações perfeitas, onde alimento e vinho se completam proporcionando uma experiência inesquecível.

Vinho e comida é como um par de dançarinos, tem que existir uma harmonia constante. Um não deve sobrepujar o outro, mas sim completar. Nosso clima é quente e combina mais com vinhos leves, jovens, mais ácidos e refrescantes e pouco encorpados. O que não quer dizer que não devemos saborear os vinhos mais robustos.

A experimentação é uma virtude e deve ser cada vez mais praticada para não deixar nosso paladar se acostumar com o que um dia aprendemos a gostar. Sempre existirão novos dias, amigos, conversas, alimentos, etc, a serem explorados. Evoluir sempre e acreditar que conhecemos pouco e ainda temos muito o que aprender.

Parafraseando Sócrates: “Eu sei que nada bebi, ainda”. Boas descobertas combinam com menos preconceitos.

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